Quinta-feira, 2 de Outubro de 2008

#2.5 - mel

              Todos, mas mesmo todos nós queremos que aconteça. Todos. Não me venham falar de freiras, virgens ou caloiros do Técnico, todos queremos que aconteça. Quando saímos à noite, quando andamos de transportes públicos, quando estamos no trabalho ou simplesmente num café, pode acontecer. E apesar de uns serem mais propensos a isso, a todos pode acontecer e todos queremos que aconteça. Um “flirt” por dia não sabe o bem que lhe fazia.

            Comecemos pela parte chata da coisa, o definir do conceito. Engate, flirt ou um simples interesse. Podem chamar-lhe o que quiserem que o sentido é o mesmo, um ser humano interessa-se, sente-se atraído por outro, e faz um esforço de aproximação. Esforço esse que pode ir desde um simples olhar adornado com um sorriso, a um salpicar de uma droga forte e proibida numa bebida em plena Kadoc. Mas partindo do princípio que a maioria das pessoas prefere a primeira abordagem, quero perceber o que leva alguém a ser mais atraente do que outro, sem recorrer a enabolizantes.  

            Há quem lhe chame factor X. Há quem lhe chame charme. Há quem lhe chame “G’randas mamas”. O nome não interessa, interessa o mecanismo que o acciona. Apesar de haver consensos universais para a beleza, cada pessoa tem os seus atributos e tem é que se fazer valer deles. E não, quando digo “atributos” não estou a falar daqueles truques esquisitos que todos conseguimos fazer. Esticar a língua até ao nariz, trocar os olhos ou rodar uma orelha, são coisas giras, que nos trazem de volta memórias ferimentos de guerra em alguns casos, mas que só têm piada uma vez numa noite.

            Atenção que estou a falar da simples e perigosa “atracção”, não estou a falar de “como encontrar o companheiro que me vai dar os meus quinze filhos lindos e a casa grande e oferecida pela Câmara com que tanto sonhei”. A atracção é algo que evolui, cresce e muda. Apesar de custar a perceber, aquilo que acreditamos ser os nossos gostos pessoais, são meros desvios de uma norma maior. Há 500 anos as mulheres bonitas eram as que pesavam quilos a mais. Porquê? Porque eram saudáveis o suficiente para darem filhos, ideia que no entanto também torna compreensível porque nos metíamos em barcos durante décadas para descobrir a Índia. Actualmente as mulheres bonitas são as que vomitam quilos a mais. Porquê? Porque num mundo em que comer é vício, o “controlo” dita as regras. O sex appeal, o poder da atracção, vai muito para além de nós. Um estudo recente provou que as mulheres achavam mais depressa um homem sexy se as suas amigas também achassem. É verdade, agora sim os homens podem dizer que o acto de se atirarem às amigas da sua namoradas é pura e simplesmente “salvar a relação”.

            O flirt funciona e é popular por uma simples razão. Somos inseguros. Todos. O flirt é popular porque é uma pequena e forte explosão de confiança. É um comprimido pequenino e rápido que actua directamente no nosso cérebro e que diz, em letras a néon: “Vês? Não estás gordo. Não estás velho. Aquela senhora olhou para ti e riu-se. És giro! És atraente! Pára de chorar quando te masturbas em frente ao pc, seu psicótico doente!”. O flirt gosta de insultar as pessoas no fim das frases. Por outro lado, o facto de “saber bem” leva a que seja viciante, o que nos levaria a uma outra temática totalmente diferente, a “Encornações e cornadura lda”.

            Querem saber a verdade sobre a atracção? Olhem à vossa volta. As civilizações do sul da Europa, latinas, preferem os loiros, branquinhos, porque só têm morenos à volta. Nas civilizações do norte é exactamente o inverso, mas com mais roupa e menos areia. O que quer dizer que se acham que ninguém vos liga, que são feios, gordos e velhos, provavelmente só estão na coordenada geográfica errada.

 

 

Com bilhete tirado para a Noruega,

Guilherme Fonseca         

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publicado por Guilherme Fonseca às 04:34
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