Quinta-feira, 16 de Outubro de 2008

#2.7 - 0,80

            Porque o humor também se faz sobre coisas sérias esta semana vou falar de um tema importante para os portugueses, o alcoolismo. No entanto quero focar-me especificamente nas pessoas sem escrúpulos, idióticas e totalmente desprovidas de bom senso que não só bebem como se deixam apanhar a conduzir. Para vos dar um exemplo de um desses energúmenos e perigosos assassinos apresento-vos… eu.

            É sempre este o sentimento que nutrimos pelas pessoas que são apanhadas a conduzir. Total desprezo e raiva pela estupidez de somarem na mesma noite lucro à Super Bock e uma carroçaria da Renault. Duas coisas que funcionam bem sozinhas mas que quando juntas normalmente dão mau resultado. Exactamente como Mentos e Coca-Cola. Mas com multa.

            As pessoas fazem anormalidades todos os dias. Desde de comerem demais até gritarem no local de trabalho “Apoiado, senhor Ministro”, e não é novidade para ninguém que o nosso país tem um problema não só com álcool mas ainda mais com a condução. Contribuirmos para que o problema se agrave é bebermos cada vez mais cedo na juventude e permitirmos a circulação de uns indivíduos chamados “taxistas” nas nossas ruas. Quando combatermos isto decentemente vamos conseguir ser mais civilizados, calmos e provavelmente ir visitar a família no Natal sem levar com um camião TIR no tejadilho do carro.

Antes de contar o que se passou na noite de sexta-feira passada tenho de preparar o leitor. Apesar de não me conhecer, acredite que quando não me senti em condições, várias vezes deixei o carro onde estava e fui a vomitar os interiores de um Táxi até casa. Mas a verdade é que sexta-feira passada bebi e fui mandado parar. Quando chegou o momento de entrar no carro e ir para casa fiz a análise calma e ponderada que faço sempre. “Guilherme, estás bem? Fora teres sido ignorado por várias raparigas dignas de uma estátua grega, consegues entrar neste carro e não atropelar metade dos sinais de trânsito da capital?” A resposta que dei a mim mesmo foi que sim. Já fiz esta pergunta a mim mesmo várias vezes e nunca desrespeitei a lei, sempre fui consciente e cuidadoso, o que quer dizer que a minha estatística estava positiva. (A do álcool, não a das raparigas dignas de estátuas).

Metros mais à frente fui mandado parar numa operação STOP. Falei normalmente e de forma lúcida com o Polícia e inclusivé até lhe corrigi um erro de leitura num dos papéis do carro. Não só não levou a mal este atrevimento como pediu desculpa, não sabia que os Polícias faziam isso. Como manda a rotina tive de sair do carro e soprar num aparelho irritante que apita quando lhe sopro. Como se gostasse e estivesse a dizer “Ai, pára, porca! Isso faz cócegas!”. Tanto lhe fiz cócegas que apareceu lá escrito 0,80. O Polícia virou-se para mim e comunicou no seu tom de voz mais profissional que eu teria de o acompanhar à esquadra depois de ele me estacionar o carro uns metros mais à frente. Respondi que não havia problema enquanto que na minha cabeça complicadas contas de matemática acabavam em números negativos na minha conta bancária. Não sabia quanto era a multa mas sabia que o MacDonald’s agora até tinha umas promoções engraçadas. Ele estacionou o meu carro, pediu para eu esperar e foi falar com um colega.

Fiquei à espera, como um preso de guerra numa salinha apertada com entradas de gás. Segundos depois o Polícia volta e, num meio sussurro, disse “Olhe, pode ir apanhar um táxi e vir cá amanhã buscar o carro”. Se não estava embriagado, fiquei naquele momento. Apeteceu-me dizer “Amo-te, senhor sexy de farda” mas saiu-me “Muito obrigado”. Meti-me num táxi e enquanto agradeci a Deus gostar de mim percebi que isso significava que ele sim estava embriagado.

A moral disto tudo é simples. Os caminhos entrincados e complicados da vida deram-me uma segunda oportunidade para deixar de ser parvo e tenho de aprender com isso. Beber implica que álcool se misture com o nosso sangue quer isso afecte o nosso comportamento ou não. Desde Mon Chéri’s até Vodka puro, o álcool entra sempre no nosso sistema. Está lá. Não me alterou física e psicologicamente mas eu podia estar muito bem a uma bebida de alterar. Por favor, não faça a figura triste que eu fiz. Não beba se vai conduzir. Acredite, há imensos táxis forrados a pele para se vomitarem por dentro.

 

 

Agradecendo a lição e a prenda de natal antecipada,

Guilherme Fonseca      

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publicado por Guilherme Fonseca às 04:53
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2 comentários:
De Pai a 17 de Outubro de 2008 às 16:37
Boa.
Tens razão !
E até acredito que, com 0,80 de alcool no sangue, estivesses com capacidade para levar o carro pra casa. O primeiro que nunca guiou com um gramita a mais no sangue que atire a 1ª pedra.

Mas... E lá vem o mas. Leste o sobre o fachista austríaco ? Já viste que maneira tão inglória de acabar com uma carreira ? Provavelmente houve muita gente que respirou de alívio por ele ter morrido, assim há uns cabeças rapadas que perderam o líder, o "facho" que lhes iluminava o dias.

Um autor famoso dizia que quando dobram os sinos, não perguntes por quem, dobram por ti também.

E ter a certeza que estás em condições de conduzir, nunca tens, mesmo quando não bebeste, quanto mais depois de umas bejecas.
Stay safe...

Do teu Pai, que estranhamente, se preocupa :)


De Guilherme Fonseca a 17 de Outubro de 2008 às 16:49
Tens razão, pai.

Com mais ou menos referências políticas, a verdade é que com o álcool não se brinca. A não ser para grelhar salsichas em pratinhos de barro.

No entanto o senhor austríaco estava com 1,4 gramas, acho eu. Se fosse apanhado pela Polícia não ia de Táxi para casa de certeza. Não foi parado por um senhor Fardado, foi parado por um poste. Moral da história: Mentos e Coca-Cola não colam... :)

Abraços de um filho que sabe que o pai se preocupa,
gui


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