Quinta-feira, 27 de Novembro de 2008

#2.13 - Birra

          Tem laivos que vão de comediante a filósofa, de líder Político a reaccionária e até mesmo de pessimista a Sebastianista. Mulher de vários ofícios e Ministérios, não se sabe bem de onde veio, nem como, mas anda por aí e não faz planos de ir embora. Qual monstro de filme de terror de série B, aparece, aterroriza em silêncio e no final ataca sem misericórdia. A senhora Manuela Ferreira Leite merece a atenção desta crónica. Ou não será isso que ela quer?   

A 2 de Julho de 2008 diz: “A Família tem por objectivo a procriação”. Como líder do PSD, escolhida pelos ainda mais “interessantes” militantes que votaram nela, tem um currículo a roçar a obesidade. Ministra da Educação ou das Finanças aparecem como pratos favoritos e embelezam a ementa. Cumpre o seu lugar com prazer e… em silêncio. Ninguém sabia porquê. Todos se interrogavam “A pequenina já sabe falar?”. Apesar de misteriosa era bem comportada, então foi-lhe dado o lugar de “filha mais velha” da casa. Quando abriu a boca para dizer esta bela pérola ao “amor eterno”, patrocinado pelo bispo da sua paróquia, percebemos porquê não usava tanto as cordas vocais.    

A 1 de Novembro de 2008 diz: “As grandes obras públicas só ajudam a combater o desemprego de Cabo Verde e da Ucrânia”. Volta ao silêncio depois daquela primeira tentativa. Deve ter levado “tau tau” e foi de castigo para o quarto. Mas julgam que isso a detém? Qual “criança em birra” sai do quarto a correr, entra pela festa dos pais a dentro e diz uma “piada chocante”. O riso ia salva-la. Tinha que salvar, não era? Ela tinha de continuar na festa e podia ser que a piada dita em bicos dos pés aos gritos os fizessem acolhê-la de braços abertos. “Que engraçadinha” diriam, mas não resultou. Levou mais “tau tau” e provavelmente ficou sem sobremesa. 

A 12 de Novembro de 2008 diz: “Não pode ser a comunicação social a seleccionar aquilo que se transmite”. O segundo “tau tau” doeu fundo e Manuela percebeu que algo tinha de mudar. De quem é a culpa? Dos papás que só ouvem aquilo que querem. Ela até é bem comportada! Eles não podem distorcer aquilo que diz, a piada era tão gira! Ataca os órgãos de comunicação porque não tem tempo de antena suficiente e quando o tem, são distorcidas as palavras que usa. Os pais olharam uns para os outros e soltaram uma valente gargalhada em conjunto. 

A 17 de Novembro de 2008 diz: “ Não sei se a certa altura não é bom haver seis meses sem democracia, mete-se tudo na ordem e depois então venha a democracia”. Foi a gota de água! Agora estava mesmo irritada. Se Manuela não podia fazer aquilo que queria em casa era porque não a deixavam trabalhar com a liberdade que queria. “Acaba-se já com isto de uma fez e eu mando, pode ser? Depois podem voltar mas primeiro faço isto à minha maneira sem vocês mexerem em nada! E caladinhos, se faz favor!” Queria destruir o sistema hierárquico imposto pelos pais. A filha queria mandar em casa. Bateu o pé e falou em mandar os Papás para o quarto de castigo. Novamente, ninguém a levou a sério, mas olharam preocupados para a “pirralha” que tinham à frente.

O caso é mais sério do que parece e merece atenção redobrada. Em que ponto está Manuela? No ponto em que ou “sai de casa de mochila às costas” ou leva “uma tareia a sério” porque já chega de tau tau’s dóceis e condescendentes. E, curiosamente, o que se passa em seguida nesta história depende do leitor. Acha que estes papás vão ser permissivos e evitar a educação desta criança mal comportada? Ou dão-lhe uma palmada com força e mostram-lhe como se há-de comportar? Para saber como acaba esta novela em Junho pense em quem votar. Isto claro, se num dos próximos episódios, Manuela não tiver fugido ou sido expulsa de casa, durante uma cena de berraria que acorde os vizinhos.

 

Prontinho para “educar” quando for preciso,

Guilherme Fonseca

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publicado por Guilherme Fonseca às 03:38
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2 comentários:
De Luís Franco-Bastos a 27 de Novembro de 2008 às 15:04
Eu é que vos agradeço a confiança e o óptimo feedback em relação ao meu trabalho ;)

Aliás andava para te mandar um comentário a dizer isso mesmo e agradecer-te em nome de todos, mas lá está, não tenho parado muito tempo quieto...

No fim da aula nem te cumprimentei, vocês desapareceram todos, mas haverá uma nova oportunidade ;)

Abraço e boa sorte para tudo!
Luís


De Guilherme Fonseca a 27 de Novembro de 2008 às 18:56
Pois, também te queria ter dado um abraço e, porque não, dois dedos de conversa, mas estavam a Susana Romana e a Maria João Cruz no restaurante à nossa espera à horas... os que já eram inúteis foram andando.

Teremos mais oportunidades. Para já fica "on-hold" e uma primeira produtiva e agradável parceria. :)

Tudo de bom e que nunca deixes de estar atarefado,
gui


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