Quinta-feira, 8 de Janeiro de 2009

#2.19 - bébé, não me magoes

              Esta semana um estudo americano divulgou que apenas 1 em cada 10 casais continuam apaixonados depois de 20 anos de casamento. O estudo servia para descobrir se existe amor eterno e o resultado não me espanta. Depois de 20 anos de casamento aquilo que acontece é que a paixão muda. As mulheres passam o amor do homem para as novelas brasileiras e os homens da mulher para a manicura dela. Não é que a paixão se esvaneça, ela só procura algo mais novo. Mais belo. Mais sul-americano.

À primeira vista pode parecer que os investigadores não têm nada de melhor para fazer. Com tantas doenças mortais por aí fora, como o cancro, o SIDA ou o PS, e andam atrás da paixão. O facto é que a paixão é um tema que já deu músicas lamechas dos anos 80 suficientes para ser digno de estudos catedráticos. Se hoje falamos desta coisa do “amor” deve-se apenas a tiradas poéticas e repetitivas, ditas por alguém a imitar o cabelo do Pablo Aimar, como “What is love? Baby, don’t hurt me! Don’t hurt me! No more!”.  
A paixão é algo que existe no início de uma relação mas que com o tempo, como estes investigadores perceberam e bem, vai esvanecendo. As pequeninas coisas que achamos piada no início de uma relação, começam a cansar, a irritar e aquele “punzinho” a ver a televisão passa de uma gargalhada discreta de ambos para um sessão de insulto e de “Quem acerta com o serviço Vista Alegre primeiro no outro”. Não há que fugir. Milhares, senão milhões de relações já acabaram porque não nos sabemos moldar a essas modificações na nossa relação. Ficamos presos à imagem da nossa cara-metade quando tudo começou e não aceitamos a evolução. Não aceitamos que a gravidade é mesmo uma filha da mãe.
Podemos, num esforço de compreensão pelo sexo feminino, olhar para aquilo que atraí a mulher num homem e perceber porque isso se esvanece. Podíamos fazer isso do homem para a mulher também mas já chegam de piadas mamárias neste texto. As mulheres procuram algumas coisas concretas num homem. Primeiro que tudo, e vem no topo da lista, Aparência Física. Aqui não está discriminado se é um belo rabo ou um belo conjunto da Dolce e Gabbana. A verdade é que as mulheres gostam do pacote, seja em que sentido for. Como se fossemos uma bela mala de ombro numa montra da H&M, somos olhados, apreciados, medidos e depois repescados.
O segundo aspecto que atrai as mulheres aos homens é a “simpatia” e depois o “dinheiro”. Como toda a gente sabe isto é uma falsa questão. Um homem só é simpático quando tem dinheiro portanto, estes dois itens na lista são um verdadeiro “ovo/galinha” e não se sabe quem vem primeiro. Em seguida vem “sentido de humor”. Outra questão enganosa. Quem tem mais piada? Os feios e os gordos, claro. Os homens bonitos não têm necessidade de ter piada porque basta aparecerem para que olhem para eles. Quem tem piada normalmente não corresponde logo à primeira categoria de “Aparência física”, o que só prova que as mulheres, e aqui vou ser mesmo exacto na conclusão, não fazem a mínima ideia do que querem num homem.         
            Se no início, na atracção, uma mulher liga ao estatuto e ao dinheiro de um homem e um homem à copa D da mulher, a verdade é isso é só um estímulo inicial. Isso atrai-nos ao sexo oposto no início mas depois passa a ser só um pormenor, porque conhecemos melhor a pessoa e outras coisas nos fascinam. Se os americanos que fazem estudos tiverem razão, que a paixão de facto só existir no início da relação e depois acaba é muito simples a solução. Homens, liguem só ao peito das vossas namoradas/mulheres. Mulheres, dêem apenas atenção ao dinheiro e estatuto social do vosso companheiro. Se isso faz a atracção, e se a atracção mantém a paixão, então não deixem o tempo estragar aquilo que vos une. Fiquem com estas palavras sábias para vos fazer pensar: “O que é o amor? Bébé, não me magoes. Não me magoes. Mais.”    
 
            A precisar rapidamente de melhores citações musicais,
            Guilherme Fonseca
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publicado por Guilherme Fonseca às 05:03
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Todas as Quintas o humorista Guilherme Fonseca publica um novo texto!

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