Quinta-feira, 15 de Janeiro de 2009

#2.20 - Vê lá se não te cai um dentinho

                “A cavalo dado não se olha o dente”. Uma bela expressão que faria sentido se não fosse estúpida. Não só os cavalos já não são moeda de troca entre ninguém com tv por cabo, como quem “dá” no cavalo provavelmente já não tem dentes para mostrar. A verdade é que a higiene oral dos cavalos é tão importante para este texto como os decotes das apresentadoras de programas da madrugada da SIC para a minha felicidade. Vamos falar de dentes.

            Os nossos dentes são o nosso cartão de visita para a humanidade. São eles que, depois de um momento de felicidade expresso num sorriso, nos apresentam ao mundo. O próprio facto de os estarmos a mostrar já é uma mensagem feliz que temos para dar. Será que se eles estiverem em mau estado, essa comunicação leva ruído? Façam vocês mesmos a escolha. A capa da Vogue ou do dvd da Liga dos Últimos?
            Por muito que custe levantar o rabo do sofá e pegar numa escova, é importante cuidar dos dentes. No entanto, não se deve exagerar. Há pessoas que além de terem os dentes todos direitos, gostam ainda de os “branquear”. Sabe-se lá porquê mas deslocam-se ao dentista para os pintarem de branco. Não bastava ele ter que lhes curar cáries, ainda tem de lhes mudar a decoração do interior da boca. O resultado disto é o perigo de encadeamento. Cruzarem-se com um destes indivíduos de carro e o sol bater-lhes num canino, é suficiente para se espetarem num semáforo.
            No seguimento das possíveis apresentações de dentes, vem aqueles que têm apenas de um a três dentes tortos. Eu sou a favor deste grupo de indivíduos sorridentes. Um a três dentes tortos é sinal de personalidade. Ter todos os dentes direitos é razão para se desconfiar porque ou é placa, ou foi uma infância com pais demasiado zelosos. Um a três dentes tortos é sinal de humanidade, de realismo, de normalidade. Estes são aqueles que vos seduzem, que têm sex appeal ou factor X. Aqueles que se destacam nos pormenores.
            Se tiverem mais de três dentes tortos é provável que essa boca já pareça uma discoteca do Algarve no verão. Sem consumo mínimo deve haver já uma fila de bêbados para o Karaoke, não? Convém tratarem disso. Ninguém gosta de conversar com uma lampreia. Se quiserem que a vossa boca pareça um elevador do Colombo, ao menos tenham a decência de ser pessoas mal encaradas. Menos sorrisos vossos, mais sorrisos nossos.
            Não ter dentes é o final da linha. É mesmo uma declaração de intenções vossa à humanidade. Das três razões, uma justifica não terem dentes. Ou é porque gostam de ter acidentes de carro de boca aberta; ou é porque para vocês “dentista” é sinónimo de “pedófilo”; ou porque são lavradores e vivem nos Açores. No entanto, este grupo tem algumas vantagens. Poupam em dentista, escovas de dentes e todo e qualquer alimento sólido. Higiene oral para eles é mesmo só beber um copo de água.
            As restantes variações são demasiado parvas para merecem mais que quatro linhas deste texto. Desde dentes de ouro em Romenos a dentaduras inteiras de diamantes em rappers Americanos, há pessoas que preferem guardar o dinheiro na boca que debaixo do colchão. Opção essa que lhes poupa alguns torcicolos depois de noites mal dormidas. Mas façam o que fizerem aos dentes, tenham que aparelho dentário tiverem, lembrem-se apenas que sorrir não faz mal à saúde. A quantidade ou qualidade de dentes num sorriso não importam. Tenham um ou 32 dentes na boca, sorriam sempre tudo aquilo que quiserem. Ou conseguirem.
           
           Mostrando orgulhoso as favolas,
           Guilherme Fonseca
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publicado por Guilherme Fonseca às 00:15
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Todas as Quintas o humorista Guilherme Fonseca publica um novo texto!

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