Quinta-feira, 27 de Dezembro de 2007

#3 - digerindo o natal...


Esta é a minha crónica pós-natal! O que quer isto dizer? Que são 1.20h da manhã do dia 25 (espera, sendo assim já é dia 26… pois…) e ainda estou a remoer calorias e kilos de comida no meu interior. Como somos javardos, amigos! O natal é a altura do ano em que passamos por uma diferente filosofia de vida... Se precisasse de publicidade seria algo igual à campanha de turismo no Algarve durante o verão. “Natal: seja um obeso durante 4 dias!”, com fotografias a azul e branco dos maiores alarves de Portugal. Margarida Martins? Malato? Fernando Mendes? Não interessa, nós sabemos bem o que fazer. E como fazer! É irónico e sádico mostrarem circo na televisão nesta quadra quando os “animais” somos nós, arraçados de palhaços porque só fazemos figuras triste de talheres em riste e o malabarismo fazemo-lo com rabanadas e formigos aos magotes num prato pequenito de sobremesa. Porque é o prato das sobremesas o mais pequeno de toda a louça de jantar? Quem foi o sádico? É para queimar tempo e açúcar nas viagens até à mesa onde se encontram? Sacana… só para que saibas, eu uso uma travessa! Quando a frigideira de paelha está na máquina a lavar…
Cada vez mais acredito que a comida, seja ela qual for que se ingere sem pudor nesta altura do ano, é um desculpa para se puderem comer as sobremesas alarvemente sem sermos considerados “gulosos”. “Já mamei leitão, peru e bacalhau em quantidades astronómicas, acamei com vinhinho quente, já posso atacar ali a sopa dourada que ninguém se queixa da minha alarvice. Ainda bem que o meu ginásio não me está a ver agora…”. Somos não só mestres na arte milenar de empacotar calorias por centímetro quadrado de comida como ainda nos esforçamos por inovar nessa arte só nossa de “morrer por enfarte”. Descobri este ano que formigos ou rabanadas é “para meninos, e mais nada!”. Querem sentir-se nas nuvens com infusões estúpidas de açúcar no menor tempo possível, peguem numa rabanada (se não sobrou nada… um aninho nunca fez mal a ninguém…) ponham entre duas fatias douradas e preencham os espaços que sobrarem com chila… aí têm uma invenção minha que dá pelo nome de “ataque cardíaco”. Experimente e visite-me na maca nº 3 a contra da janela… estou de bata verde e soro no braço…
O que fazemos depois de os inventar e os espalhar na tradição culinária da época? Temos de lhes dar um nome. Doce sem nome é lareira sem acendalha, é anúncio de hiper-mercado sem “gingle”, é… já perceberam… a piada dos nomes dos doces é que quem os fez, come-os e apanhou uma valente moca de açúcar antes de os baptizar. “Sonhos”? “Sonho” com quê? Uma água das pedras e um maior subsídio de natal para o ano? “Formigos”? A dormência dos membros no sentido de “formigueiro” é o objectivo depois de se comer quantidades absurdas? “Rabanada”? Pseudo-erotismo era o objectivo? Com se liga ao doce, então!? “Barriguinhas de freira”? “Papos de anjo”? Quem foi o tarado que nomeou os doces desta maneira!? O que queria este gajo “comer” mesmo!?    
Independentemente do que meti na boca… amanhã vou entender a razão pela qual o anúncio que rivaliza com os de brinquedos o tempo de antena nesta altura do ano é o amigo, amigo, “Imodium”, “o seu comprimido que ataca a diarreia…”. C’um caraças…

publicado por Guilherme Fonseca às 13:05

editado por standupmagazine em 28/12/2007 às 00:53
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2 comentários:
De Anónimo a 27 de Dezembro de 2007 às 14:44
Muito bom ;)!!!
Eu felizmente sou aquele 1% da população que não gosta muito de doces e nem na epoca natalicia ingere doces...mas concordo com tudo o que disseste !:D

Bom trabalho ;) Gosto do teu Humor e Continua a escrever assim...!

Beijo


De Eduardo Ramos a 27 de Dezembro de 2007 às 17:37
A maioria dos doces são conventuais.
Logo monges... logo padres... logo... bom! Já sabes.

EU... atulhei-me em carne assada. Não foi Imodium... mas Compensan e cházinho.

Agora o que não consegui digerir foi a porcaria das reuniões de família onde "amor" a "fraternidade" imperaram. Que bom que é o Natal.



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