Quinta-feira, 5 de Março de 2009

#2.27 - O Código Da WC

THE FOLLOWING TAKES PLACE BETWEN 12.31 PM AND 12.34 PM, INSIDE A PUBLIC BATHROOM IN PORTUGAL

 
            Há vários tipos de livros e regras de etiqueta. Alguns mais comuns e outros totalmente datados e fora de uso porque apesar de defendermos o cavalheirismo há o prazer de um arroto e apesar de defendermos o flirt há sempre a violação. No entanto, após anos e anos de regras de etiqueta ainda há locais, situações e momentos onde não há rede de segurança. Não há qualquer regra que nos guie a nós homens nas casas de banho públicas a não ser o bom senso. E o olfacto.
            A casa de banho é um sítio onde se vão fazer coisas que não queremos fazer em frente a outras pessoas e as regras de etiqueta foram escritas e desenvolvidas para ocasiões sociais públicas que envolvem sempre outras pessoas. Não se pode ser mal criado sozinho. É preciso muita bipolaridade para isso acontecer. As regras de etiqueta referem-se apenas a castrar coisas que não podemos fazer em público e é daí que vem o problema. Não foi escrita qualquer regra para quando estamos num sítio privado que ocasionalmente se torna público. Não existem “boas maneiras” para a casa de banho. Eu sei o que fazer num jantar, numa festa ou num lanche mas ninguém se lembrou da casa de banho, um sítio onde duas dessas três coisas se podem fazer.
Eu dou-vos um cenário verdadeiro e elucidativo. O tempo e o local não são importantes, o que importa é que de facto aconteceu. Num café fico com vontade de ir à casa de banho. Desloco-me até ao local em questão e entro na área designada. No urinol está um homem de costas portanto dirijo-me para a sanita. Quando vou a passar ele acaba o serviço e vira-se. Era meu amigo. Imediatamente me estica a mão para um “passou-bem”. Não passei nada bem. Ele tinha acabado de fazer o que quer que fez, não houve qualquer tipo de higiene entretanto e eu não queria ser “mal-criado” portanto cumprimentei-o. Foi desconfortável, mais ainda quando não consegui fazer o que estava ali para fazer porque… tinha a mão conspurcada. Tive de esperar que ele saísse dali para a lavar, não a ia lavar à frente dele, certo? Seria insultuoso lavar um aperto de mão na cara da pessoa em questão. Entro na divisão, agora ainda mais pequena e deprimente, da sanita e espero que ele saia. Lavei as mãos, fiz o que ali estava para fazer. Lavei as mãos novamente. E novamente.
           Isto não pode acontecer. E a culpa não é dele. Ele é não só bem-educado, porque me cumprimentou, como ignorante, porque não existem regras para este tipo de encontro imediato. Não há “come de boca fechada” ou “tira o chapéu dentro de casa” para nenhum homem na casa de banho. Estamos sozinhos e como somos primitivos e lentos estamos a misturar as coisas. Aperto de mão na rua, bom. Aperto de mão dentro de casa bom, bom. Aperto de mão na casa de banho, péssimo. É por isso que eu desenvolvi estas 3 simples e primárias regras para os homens seguirem na casa de banho.
            Regra número 1: na casa de banho tem de se permanecer o menor tempo possível! (Esta regra só poderá ser violada sábados de manhã com um livro do Calvin por perto. Ou um portátil). Regra número 2: na casa de banho não se deverá reconhecer a existência de qualquer outro ser vivo. (Esta regra só se poderá violar na eventualidade de se ver uma barata. Nessa situação ficará proibido o “gritinho abichanado”). Regra número 3: na casa de banho NÃO SE FALA! Não há diálogo, trocas de palavras ou sequer contacto visual. (Se quiserem mesmo falar, usem uma caneta e o interior das portas para deixar o vosso número de telemóvel com uma mensagem homo-erótica). - Estas regras são para ser cumpridas à risca mesmo no possível cenário de presenciarem um assassinato numa casa de banho e serem a única testemunha acusatória de um massacre com um machado.
Este conjunto de regras está longe de perfeito ou completo. É apenas um início sólido, são apenas as fundações de uma estrutura grande e prepotente que tem de se edificar nos corações de todos os homens pelo mundo fora. Nós precisávamos disto, agora vamos escrevê-lo em conjunto. Façamos deste conjunto de regras um esforço humanitário carregado de testosterona. PS final – as mulheres podem e devem continuar a ir juntas à casa de banho. Nós gostamos de tentar decifrar isso.
 
Orgulhoso pela raça masculina e sua sobrevivência,
Guilherme Fonseca
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publicado por Guilherme Fonseca às 01:16
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1 comentário:
De cris a 10 de Março de 2009 às 20:04
lol Tá excelente :)


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Todas as Quintas o humorista Guilherme Fonseca publica um novo texto!

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