Quinta-feira, 16 de Abril de 2009

#2.33 - treme treme

 

            Para o Berlusconi pode ser uma maneira de as pessoas verem o lado positivo da vida e das actividades ao ar livre mas para uma pessoa comum um terramoto é algo que lhe prova o poder da natureza, ao mesmo tempo que lhe mostra se tem jeito ou não a montar candeeiros no centro da sala. Como reage uma pessoa, ou mesmo um povo inteiro, a um terramoto quando o único contacto que alguma vez teve com “tremuras” foi a gelatina da sua dispensa?
            Aquilo que vou dizer a seguir está cientificamente correcto. Se duvidarem podem dar uso à vossa Internet para pesquisar as informações que aqui deixo. Não levo a peito a desconfiança. Mas para explicar cientificamente o que é um terramoto posso, de sorriso infantil na cara, compará-lo com exactidão a um “traque”. Várias razões existem para a terra tremer, desde erupções vulcânicas a movimentos das placas tectónicas, mas algo que não estávamos à espera era que a dieta do nosso planeta nos pudesse afectar assim. Há resíduos de um gás chamado metano no interior da terra, exactamente o mesmo gás que reside no interior de qualquer português típico, que quando se move provoca ondas sísmicas. Portanto, se os vossos filhos ou amigos vos perguntarem o que é um sismo, aconselho-vos a explicarem antes de almoço.
            Outra noção errada sobre terramotos é de que são raros. O facto de Portugal só ter tido um na sua história digno de aparecer nas notícias não faz deste fenómeno uma raridade. Nos Estados Unidos da América ocorrem 12 mil a 14 mil tremores de terra por ano. As contas apontam para 35 terramotos por dia o que mostra que não só os americanos exageram em tudo o que fazem como têem, obviamente, a música alta demais. A nível planetar, por ano são esperados 18 grandes terramotos (de 7,0 a 7,9 na escala de Richter) e um terramoto gigante (8 ou acima). Acho que os Italianos não se podem queixar. Segundo estas contas, ter um terramoto é como ganhar o prémio máximo do Euro Milhões, mas isto já é o Berlusconi dentro de mim a falar.
           O maior terramoto da história do nosso pequeno e tremeluzente planeta aconteceu no Chile em 1960. Mediu 9,5 na escala de Richter. Sendo que o maior resultado possível nesta mesma escala é um 10, que tem como amigável resultado, e atenção a isto, dividir a terra ao meio, acho que ainda podemos respirar fundo 50 anos depois. Este indivíduo Richter também não fez a coisa por menos. Dividiu os terramotos por 10 categorias, na nona categoria dá como resultado possível “Devastadas zonas num raio de milhares de quilómetros” mas um degrau a cima na lista, o resultado já é a “divisão do planeta em dois”. Não dá para se arranjar uma categoria 9,5? Resultado “É bastante desagradável, manda uns cães de loiça da vossa mãe e uns prédios ao chão mas não se preocupe que o seu planeta não se separa em partes que ficarão a flutuar pelo espaço, está bem”?
            Como se não bastasse o transtorno de um terramoto, este consegue ainda comportar-se como uma namorada chateada depois de uma discussão. A discussão ocorre (sismo) mas esporadicamente e em número decrescente após o primeiro abalo, ocorrerão relembranças do que se passou (réplicas) que podem chegar a ser tão violentas como acontecimento inicial. O planeta terra não só solta traques como gosta de repetir a proeza, para que reparem nela. Deve querer miminhos.
            Apesar de brutos, violentos e raros estes abalos merecem respeito. Não são um aviso de nada errado que a humanidade esteja a fazer, para isso temos a subida das temperaturas. Servem sim para nos lembrar que esta “casa” onde estamos é alugada e tem um senhorio típico. Chato e persistente, a fazer notar a sua existência.
             
            A tentar descobrir o facebook do Richter,
            Guilherme Fonseca
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publicado por Guilherme Fonseca às 22:20
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