Quinta-feira, 14 de Fevereiro de 2008

#10 - pequenas partes

O corpo humano é feito de partes, por maiores, menores, largas ou compridas, profundas ou achatadas que elas sejam, que funcionam por si só ou acopladas com outras partes de outros corpos. Bem, alguns corpos passam uma vida inteira sem conseguir que essas partes entrem noutras semelhantes, mas a sua função e objectivo é esse mesmo. Não se preocupem, eu também não sei do que estou para aqui a escrever, mas suponho que qualquer coisa aqui era sobre sexo.

             O meu corpo não tem deficiências e portanto é adornado de todas as partes que lhe fazem falta. Aliás, até tem partes que não fazem falta nenhuma mesmo, mas como vinham da fábrica sem garantia, não dá para devolver. Por exemplo, quem quiser uma “barba” eu ofereço de bom agrado. É perfeita para causar alergias em namoradas. Fora isso, só serve mesmo para se camuflarem no Sudoeste, nada mais.

            Mas a parte específica de que vos quero falar é o meu rabo. Calma, não se assustem já. Não tenho problemas intestinais tortuosos nem nunca estive preso. Aquilo que aqui me trás é puramente estético e fútil. Eu sofro de um problema simples que é: eu não tenho rabo. “Não tenho” no sentido de “sobra pano quando compro calças” ou “as mulheres até querem olhar mas a olho nu é impossível”, percebem?

            O rabo é indubitavelmente a “estrela”, a parte mais popular do corpo humano porque é a única esteticamente agradável que ambos os sexos têm e isso faz dele mais comum e admirado. É o “Brad Pitt/Angelina Jolie” da anatomia humana. Imaginem por comparação que o nariz é por exemplo um “Sócrates” e o cotovelo um “Petit”, se isso vos ajudar a compreender. Seja ele masculino ou feminino, um par de olhos, ou até mesmo vários ao mesmo tempo, vão estar a tirar medidas ao rabo esteja onde ele estiver, seja ele de quem for.

            O problema é que eu não tenho e isso faz de mim diferente. Ou melhor, eu até tenho, mas é demasiado e excentricamente pequeno. Não que isso me prejudique de alguma forma. Consigo ir à casa de banho ou sentar-me numa cadeira como todos vocês. Até mesmo como o Brad Pitt, mas sem a minha sanita poder ser de ouro encrostada a diamantes. Que posso eu fazer? Tenho-me lentamente vindo a aperceber que nada. Embora não seja admirado pelas mulheres nesse capítulo, posso sempre arranjar mais espaço para a carteira nas calças ou até mesmo não prejudicar tanto um “puff” quando me sento nele. Pois é, regalias de quem se esforça por ver o copo “meio cheio”.

            Não quero com esta crónica começar um movimento de ajuda ao meu rabo. “Dê um euro e vamos por o Guilherme a subir escadas! Ouvi dizer que subir degraus ajuda no problema dele!”, não é nada disso. Se bem que não vos vou impedir de me mandarem um euro cada um, se quiserem. O que eu quero é dizer àqueles que são “construídos” como eu que não estão sozinhos e que isso não faz de vocês piores pessoas de maneira alguma. Sejam felizes com o vosso rabo, seja ele como for.    

            Para concluir deixo o meu rabo falar. Antes de ele se pronunciar aviso de ele parece um hobbit do “Senhor dos Anéis”. Pequeno, pálido, vagamente peludo e se encontrado no seu habitat natural, extremamente ruidoso. Assim sendo fiquem com algumas palavras suas: “Olá, pessoal. Da minha parte só quero pedir que esta analogia do “Senhor dos Anéis” não vos dê ideias malucas com bijuteria… De resto, e sem mais nada de importante a relatar sem ser o almoço do Guilherme, obrigado por saberem que eu existo.”

 

            Guilherme Fonseca (e o seu rabo)

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publicado por Guilherme Fonseca às 00:10
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1 comentário:
De Eduardo RAmos a 14 de Fevereiro de 2008 às 10:27
Mas que treta. Porque fui ler isto?
Como é que me livro destas imgens da minha cabeça!?
Bolas!


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Todas as Quintas o humorista Guilherme Fonseca publica um novo texto!

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