Quinta-feira, 21 de Fevereiro de 2008

#11 - poderoso hipnotismo

            Sem querer cair na monotonia ou na falsa avaliação de que só me importo por temas leves e sem profundidade nenhuma (e para responder a estas duas questões relembro que já escrevi sobre o meu rabo) quero só mais uma vez deliciar-vos com uma visão renovada e fresca de mais uma parte do corpo humano. Não, não será do meu, não vos quero enojar à partida, embora com pedaço de anatomia não me importava de ter mais familiaridade. No fim agradecem.

            Há coisas inevitáveis e muito mais fortes que todos nós seres humanos fazemos no dia a dia. Espirrar de olhos fechados, olhar de seguida para a mão para ver o estado e resultado desse mesmo espirro, bocejar, rapar o resto do chocolate quando se faz um bolo, encolher fervorosamente os dedos dos pés quando se atinge um orgasmo, lutar pelo telecomando, ficar a ver futebol na televisão mesmo que seja um jogo num quintal no Quénia entre estropiados. Estes são alguns dos inúmeros pedaços de controlo inevitável do nosso corpo, mais comuns e populares, com que lidamos no dia a dia.

Mas há um, perigoso e subtil, que nos atinge de forma sub-reptícia e furtiva, que quando normalmente soa o alarme já é tarde demais. Nós, homens, não conseguimos desviar o olhar de um decote feminino. Está dito. E sim “feminino”, porque também há decotes masculinos. “Decote” entenda-se como: “jogo de roupa” que nos provoca com imagens parciais de uma parte do corpo que devia estar escondida ao olho humano. Quantas vezes um canalizador ou um limpa chaminés não se dobrou sobre si próprio durante a labuta e, em jeito de “vale desencantado”, quase que vimos o que este almoçou? Pois, também acho.

O decote feminino tem de facto um poder sobre nós. Ele manda e nós obedecemos. Se ele de repente começa-se a falar de forma esquisita e a ditar ordens todos nós o seguiríamos numa invasão à Polónia, capacitem-se disso. Ele hipnotiza, na verdade sem grande esforço da sua parte, e nós subjugamo-nos ao seu poder sem termos de seguir anúncios de jornais gratuitos para entrarmos na sua magia negra. Tentem, e eu desafio-vos, a descobrir um maravilhoso decote e em seguida desviarem a vossa atenção para o bêbado ou o empresário do outro lado da carruagem do metro. Serão fisicamente impossibilitados de permanecer mais de alguns segundos a fingir que “não vos interessa”.

As mulheres sabem disto. Infelizmente para nós, que julgamos que somos os mestres do disfarce quando somos apanhados na espiral de destruição a que aquela miragem carnal nos leva. (Grande frase, caraças! Devo ter visto um decote para estar a escrever tão inspirado.) Assim sendo, elas quando nos querem controlar sem o mínimo de resposta da nossa parte “enganam-se” e compram meio tecido para um vestido inteiro, ou simplesmente calculam mal o tamanho da vestimenta e sai uns números abaixo do que devia ser. Cada vez mais me convenço de que não mandamos absolutamente nada.

Será que ficámos presos numa fase infanta qualquer, ou somos de facto “porcos javardos e ordinários” que não param de pensar na saudável, alegre, jovial, catártica, preenchedora e (já chega) reprodução humana? Não sei. Como disse no início do texto, há vontades do nosso querido “chassis” que não conseguimos controlar. Não me considero um ser desprezível, mas sim alguém que por vezes não leva a melhor.

Mas vá lá! Será que é assim tão mau ser apanhado? Será que é assim tão repreensível, sermos apanhados com o “olho” na “botija” (trocadilho acidental, juro)? Mulheres, não é bom para o vosso ego feminino nós discretamente aceitarmos que alguém fez um bom trabalho e uma excelente manutenção? Não se sentem reconhecidas e bem convosco quando reconhecemos que vocês são bem feitas e bonitas? Claro que sim.

Se tudo for bem feito, com classe e uma subtileza sedutora, ninguém sai magoado na equação. Nem a nossa bochecha fica avermelhada, nem o vosso dia fica mal porque foram “violadas mentalmente” por um pervertido, nem o vosso peito fica de ego destroçado porque ninguém o visita e continua a ser ignorado por retina alheia. Eu apoio um constante reconhecimento dos atributos femininos dentro do que a elas seja aceitável e a nós “produtivo” (não vou justificar esta escolha de termo. Desculpem.). Reconheçamos que somos fracos, sabendo que o importante no meio deste jogo de olhares todo é fazerem como eu e não mostrarem as vossas crónicas às vossas respectivas namoradas, porque senão nesse caso não é só a bochecha que fica avermelhada.

 

Guilherme Fonseca
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publicado por Guilherme Fonseca às 00:02
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1 comentário:
De Eduardo Ramos a 21 de Fevereiro de 2008 às 10:33
Em resposta a isso, há muito homens que andam de braguilha aberta, e continuam a ser chamados de porcos ou pervertidos .
Somos descriminados alarvemente.
Temos que lutar pelo... pelo nosso "direito".



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