Quinta-feira, 10 de Abril de 2008

#18 - parabéns?

            Conceitos básicos necessários para compreender esta crónica humorística: um ano tem 365 dias; 12 meses, 52 semanas; as pessoas fazem amor todos os dias; algumas sexo a todas as horas; há pessoas com sorte; eu sou uma pessoa normal.

            Sim, é verdade, um ano tem 365 dias e em cada um desses dias acontecem milhares de coisas, de eventos e de acontecimentos, que podem nos podem passar ao lado ou mudar o curso do planeta. Esta última só acontecerá literalmente com um cometa, mas vocês perceberam. Cada dia tem a sua importância, a sua histórias, as suas emoções, e as suas 24 horas. Com ou sem Jack Bauer.

            Todos os dias nascem milhares de crianças e morrem milhares de seres humanos. Não necessariamente por esta ordem, mas todos os dias! Eu quero reforçar só mais uma vez, sem querer cair em repetições e já caindo, que um ano tem 365 dias. Eu nasci dia 15 de Maio de 1987. O leitor há de ter nascido noutro qualquer dos 365 ou até, porque não, no mesmo. Tendo estas noções bem claras eu quero dizer uma coisa a todos os meus amigos, conhecidos e talvez, ocasionalmente, familiares. Eu, Guilherme Barros da Fonseca, não sei os vossos aniversários de cor!

É impossível! Eu vou-me esquecer dos vossos dias de anos. Apontem isto nas vossas agendas, no dia em que quiserem. Não me lembrarei tal como não me lembro do que almocei a semana passada na terça-feira ou do que tenho de fazer daqui a um mês. Não fui construído nem programado para decorar estas informações. Há pessoas, fantásticas, brilhantes e muito melhores a manter amizades do que eu, que se lembram destas pequeninas coisas. Mas eu vou, indubitavelmente, esquecer-me dos vossos aniversários.

            Eu não vos odeio ou tenho em menor consideração. Vocês são importantes para mim como são. Se me emprestarem dinheiro são, de facto, um pouco mais importantes, mas mesmo de conta bancária estancada, vocês não deixam de ser merecedores da minha amizade e respeito. Mas compreendam a minha posição. Cada um de vocês, individualmente e carinhosamente, tem uma data de nascimento. Os que não tiverem perdoem-me, mas de facto o “sim” na lei do aborto ganhou.

            Sei quando é o dia de natal, a passagem de ano, os aniversários da minha família (processo de decoração a que se dá o nome de: força da repetição) e sei ainda quando é o aniversário da minha namorada (processo de decoração a que se dá o nome de: força de uma mão fechada e enervada). Fora estas fantásticas e repetitivas datas fico sempre surpreso quando há um feriado ou disparam foguetes no dia da implantação da República. Algures em Outubro, certo?

            Serve este texto para pedir desculpa. Para assumir um problema, uma falha, um erro e pedir uma série de pequenas coisas, para que a nossa amizade continue próspera, e consequentemente, cheia de empréstimos de dinheiro. Primeiro, não mudem de data de aniversário. É chato e aborrecido tratarem a vossa data de anos como uma morada ou um número de telefone. Deixem-se estar sossegadinhos. A segunda é que me avisem, calma e discretamente, uns dias antes da data de que vão fazer anos. É simples. Numa conversa mencionem a data subtilmente, como se espirrassem ou tossissem. Assumam um tourette rápido e descartável apenas para que eu no dia possa dizer: “Espera! Acho que alguém vai fazer anos agora esta semana! Mas deixa estar. Não me apetece comprar prenda. Pá, o Carlos é que estava com uma tosse horrível, coitado.”.

            No fundo, no fundo, o dia de anos é simplesmente mais um dia, apesar de uma humanidade inteira com falta de atenção não gostar de o admitir. Para nós é data certa a contar do dia que temos nas costas do BI. Para o resto do mundo é pura e simplesmente mais um dia. Ainda por cima comemorarem o vosso aniversário é também comemorarem possivelmente o dia mais doloroso da vida da vossa mãe. Seus sádicos.

Que faz o dia de anos especial? Que fazem de diferente no vosso dia de anos? Jantam com os amigos? Podem faze-lo o resto do ano. Pagam-vos bebidas em discotecas? Mudem de sexo e saiam à noite como uma mulher. Recebem prendas? Pronto, aqui não tenho contra ponto. É sempre bom receber prendas. O problema das prendas é que no fundo são como o sexo oral. Alguém que não dê vai inevitavelmente acabar por deixar de receber.

            Sem me querer alongar quero acabar com uma importantíssima palavra para todos vocês. Leiam com calma, atenção e amizade. É pequena, fácil de ler, de escrever, de assimilar e representa tudo aquilo que vos quero dizer neste momento e para todo o sempre. Parabéns! Atrasado, ainda cedo ou só para quando nascerem, mas parabéns! Agora façam o favor de não se esquecerem que já disse.

 

 

Guilherme Fonseca        

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publicado por Guilherme Fonseca às 00:11
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Todas as Quintas o humorista Guilherme Fonseca publica um novo texto!

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