Quinta-feira, 24 de Julho de 2008

#33 - divertir

                 O Verão já vai a meio gás. Não temos tido incêndios ou meninas inglesas a desaparecerem a meio da noite, mas temos contratações futebolísticas e “peixeiradas” de entreter o telejornal. O Verão é isso mesmo, e ainda nem Agosto começou. Mas fora as operações mediáticas que vemos no ecrã, há mais a acontecer no sub mundo, nas entranhas desse Portugal fora. Em sítios porcos e sujos, imundos e badalhocos, em que nem a ASAE se atreve a entrar. Sempre são 15 euros por pessoa, isto quando não se é barrado. Estou a falar das discotecas durante o Verão.

            Sair à “noite” é um conceito que tem diferentes significados, dependendo de quem usa o termo. Se o leitor for um estudante do técnico, provavelmente é pegar no lixo e ir ao caixote mais próximo, ainda de pantufas e com um download do “Battlestar Galáctica” a meio. Se o leitor for o detentor de um iate na marina de Vilamoura, quer é ouvir um musiquinha jazz à beira mar ou ir ao casino gastar dinheiro que não tem. Se o leitor for um pré-adolescente rebelde, fã de morangos com açúcar, “sair à noite” é saltar pela janela da casa de banho para fumar um cigarro às escondidas. O sair à noite que aqui vou falar é para as pessoas frequentadoras de discotecas de verão. Os bebedores de preservativo na carteira.
            É do senso comum que apenas as mulheres saem à noite para se divertirem. Um homem não paga 15 euros para entrar numa discoteca e passar a noite toda a “dançar”. “Dançar” é algo que vai contra a natureza do ser humano repleto de testosterona. O máximo que conseguimos fazer é no nosso casamento e porque os pais da noiva estão a pagar o DJ. Portanto se um homem vos disser que vai sair à noite para se divertir é com certeza um violador perigoso. Convém neste caso vocês trancarem a vossa família na cave, isto se o violador perigoso não forem vocês.
Quem sai à noite para se divertir são as mulheres. Os homens saem à noite porque as mulheres saem à noite. Simples. É assim que as coisas funcionam. Como a física provou “uma acção provoca uma reacção”. E desta “física” não estão interessados os frequentadores de discotecas, apesar de também procurarem acções que lhes provoquem reacções.
Não sou frequentador de discotecas durante o ano, excepto durante o verão. Os outros dos 365 dias sou um fervoroso adepto do café, da cerveja e da conversa a acompanhar. Um chá no Tuareg ou uma noite encostado a um carro no Bairro Alto de imperial na mão fazem as minhas delícias. Delícias essas que são pura e simplesmente uma boa conversa. Numa discoteca, se quero conversar ou grito até me saltarem pedaços da laringe ou espero por aqueles segundos desconfortáveis em que a música pára e estou a dizer algo que não devia estar a dizer. Acontece sempre. As discotecas não são sítios construídos para se discutirem os assuntos da nação. São sítios construídos para se “maquilharem” e “abanarem” as obras da nação, ao som de uma música repetitiva.
Se me disserem que vão para as discotecas pela música, provavelmente têm uma garrafa de água na mão e a carteira cheia de comprimidos parecidos com Benurons. Ninguém no seu perfeito juízo consegue lembrar-se de uma música em particular numa discoteca, a não ser o autor da mesma. Esta música é feita de propósito para ser eterna. Ou levam com hits dos anos 80 mixados com uma batida por trás ou então não dá para separar o batimento do início da noite com o batimento do fim da noite. Até pode ser a mesma música que nós não damos por ela. Provavelmente até é, sacanas dos gajos.
As discotecas no entanto são sítios perigosos. Como 90% das pessoas que lá vão tem como objectivo entrarem sozinhas e saírem acompanhadas, milhares de jogos interessantes acontecem pelo meio do processo. É engraçado e sádico ver como alguns se esforçam demasiado. Já vi chegar ao ponto de se fazerem às Barmaids da discoteca. Amigos, são um alvo fácil porque não podem fugir, é verdade, mas estão treinadas por monges budistas para não reagir a clientes. Normalmente são melhores a jogar poker do que a fazer whisky cola’s. As mulheres também precisam de se afastar de um tipo especial de homens: os que vão várias vezes à casa de banho.      Das duas uma, ou estes indivíduos têm incontinência urinária e vocês não os querem na vossa cama, ou então estão a dar na coca, e quando vos disseram que os olhos avermelhados eram da piscina, estavam a mentir.
Gosto de discotecas no verão porque sabe bem sentir-me vivo. Ver caras bonitas, descontrair e curtir um pouco o descanso do ano. A verdade é essa. Não me importo de pagar o que me pedem para entrar no estabelecimento deles porque só o faço durante uma semana do meu ano. Tenho esse direito e esse dever para com a minha pessoa. Apenas quis ser amigo e avisar os leitores expondo as verdades e os perigos de uma saída à noite para discotecas. Moral disto, leitoras? Eu costumo estar pelo Klube, Trigonometria e Kadoc. Não na mesma noite. Sou bom rapaz, não danço, não fui à piscina e de certeza que não me fiz à Barmaid.
           
 
            Guilherme Fonseca
publicado por Guilherme Fonseca às 06:04
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